Arquitetos-DF — Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Distrito Federal

Maria Elisa Costa (1934–2026)

26/08/2026

Maria Elisa Costa em Brasília, sorrindo, com a cidade ao fundo
Maria Elisa Costa em Brasília. Foto: Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF).

Maria Elisa Costa (Rio de Janeiro, 1934 – 25 de agosto de 2026) foi arquiteta e urbanista, autora e editora, e a principal guardiã do pensamento de Lucio Costa, de quem foi filha, colaboradora e intérprete.

Formada em 1958 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, ainda estudante ajudou o pai a fixar com fita adesiva, no apartamento do Leblon, os croquis do Plano Piloto de Brasília. No ano seguinte à formatura entrou na Divisão de Urbanismo da Novacap, onde detalhou as praças de pedestres da Plataforma Rodoviária e a fonte da Torre de TV, e projetou, com Elias Kaufman, a sede da Panair do Brasil no Setor Comercial Sul, o único projeto de autoria feminina em Brasília publicado pela revista Acrópole.

Maquete da sede da Panair do Brasil: bloco prismático sobre pilotis, com brises verticais na fachada
Sede da Panair do Brasil, Setor Comercial Sul, Brasília (projeto, 1960–61), de Elias Kaufman e Maria Elisa Costa: fotografia da maquete. Revista Brasília (Novacap), n. 42, jun. 1960, p. 6.
Perspectiva interna da loja de passagens da Panair do Brasil
Perspectiva interna da loja de passagens. Revista Brasília, n. 42, jun. 1960, p. 6.

Entre 1964 e 1968 trabalhou em Paris, no escritório de Bernard Zehrfuss. De volta ao Rio, dirigiu a C&S Planejamento Urbano (1970–82), com Eduardo Sobral, e assinou planos de urbanização em Cabo Frio, Maricá e Salvador (Projeto Patamares), com consultoria do pai, além do Hospital das Clínicas de Ituiutaba. Com Paulo Jobim administrou o escritório de Lucio Costa nos anos 1970, desenvolvendo com ele o Novo Polo Urbano de São Luís. Em 1985, com Adeildo Viegas de Lima, redigiu Brasília 57-85: do plano-piloto ao Plano Piloto, documento que fundamentou Brasília revisitada e o tombamento da capital, cujo dossiê para a UNESCO também integrou.

“O chão é público — os moradores pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence — e é esta a grande diferença entre superquadra e condomínio.” — Maria Elisa Costa, Brasília 57-85 (1985)

Dedicou as décadas seguintes à preservação de Brasília — nos conselhos CAUMA e CTPB, na Comissão Especial do Iphan e em pareceres que propuseram reconceituar as escalas urbanas do plano — e ao sertão: projetou, com Marcelo Suzuki, para a Universidade Regional do Cariri e, para a Fundação Casa Grande de Nova Olinda, o Teatro Violeta Arraes (2002), de tijolo e madeira, inspirado nos engenhos de rapadura. Presidiu o Iphan entre 2003 e 2004.

Fachada de tijolo aparente do Teatro Violeta Arraes, com varanda de madeira
Teatro Violeta Arraes — Engenho de Artes Cênicas, Fundação Casa Grande, Nova Olinda (CE), 2002. Foto: Carlos Alberto Maciel.
Plateia do Teatro Violeta Arraes, com bancos e galeria de madeira e paredes de tijolo
Teatro Violeta Arraes: a plateia, com bancos e galeria de madeira. Foto: Carlos Alberto Maciel.

Após a morte de Lucio Costa, em 1998, organizou os 11 mil documentos do apartamento do Leblon e fundou a Casa de Lucio Costa. Construiu “com a mais absoluta fidelidade ao projeto original” o livro Registro de uma vivência (1995), organizou Com a palavra, Lucio Costa (2000) e escreveu Lucio Costa, inventor de Brasília (2013). Definiu o pai como “o homem mais livre que conheci na minha vida”.

Deixa a filha, Julieta Sobral, e as netas Clara, Júlia e Sofia.

Fontes: Maribel Aliaga Fuentes, Carolina Pescatori e Luiza Dias Coelho, “As (arquitetas) mulheres que fizeram a capital”, 13º Seminário Docomomo Brasil, 2019; entrevistas a Vitruvius (2004 e 2009); revista Brasília, n. 42, 1960; Índice de Arquitetura Brasileira (FAU-USP); Metrópoles, 25/08/2026; Correio Braziliense, 08/2026.

#Memoria #Patrimonio #Brasilia

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